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dois poemas
Amanda Marques

Pálido, urro
um poema
um poema pálido
um poema trôpego
um poema pobre
um poema grosso
um poema pífio
um poema truculento
um poema primitivo
um poema nauseabundo
um poema desbocado
um poema descarado
um poema pestilento
um poema pululante
um poema petulante
um poema puro
um poema puto
um poema pulo
um poema urro
receita para fazer corpo
o poema
é uma máquina
de fazer corpos
costura-se a renda
a relva tenra
a rede régia
a reles pena
costura-se tudo
o minuto que escoa
o mingado coentro
a barba branca
as brânquias sãs
as bromélias vãs
os brincos sós
os sóis longínquos
os girassóis
a um punhado de
fragmentos de
lembranças
diluídas
a um bocado de
palavras
buriladas, e tem-se
um novo corpo
meio mambembe
meio gago
meio natimorto
planta dormideira
permanece
desacordada
até o próximo
tocar das folhas
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